REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE LEITURA EM LÍNGUA INGLESA: A POSSIBILIDADE DE UMA ABORDAGEM MULTIMODAL (Sílvia Mônica Moura Lima (UFPI)//Beatriz Gama Rodrigues- orientadora (UFPI)

Ainda na caminhada rumo aos conhecimentos necessários para começar a rascinhar minha proposta monográfica…Lá vou eu!

No ensino de língua inglesa, observamos como esses recursos podem ser empregados, sobretudo nos textos, pois os mesmos estão se tornando cada vez mais multimodais, envolvendo imagens, layouts, palavras, sons, etc. Em contrapartida, o ensino de leitura em língua inglesa, no Brasil, ainda está, em muitos casos, distante dessa realidade multimodal, pois, a maioria dos professores faz uso monomodal do texto, privilegiando a linguagem escrita. (LIMA e RODRIGUES, 2012, p. 736)

Seguimos a ideia de que compreender textos seja um procedimento complexo que envolve a interação de diferentes conhecimentos como o “linguístico, o textual e o conhecimento de mundo do leitor”, cf.: Kleiman (2008:13). Implícitas à interatividade de leitura, temos as uniões dos processos ascendente e descendente, modelos psicolinguisticos (bottom-up e top-down) propostos inicialmente por Goodman e Smith (1971). Concordamos parcialmente com a conceituação desses processos apresentada por Carrell (1990, apud Gadelha 2007:19), que afirma que o bottom-up é a decodificação das informações linguísticas presentes no texto e o top-down é a ativação de nossas predições baseadas no conhecimento de que já temos sobre o assunto abordado no texto. Acreditamos que essas informações não sejam apenas linguísticas, provenientes unicamente da linguagem verbal, mas também se estendam a outras linguagens como a visual, sonora, etc., ou seja, uma união de diferentes linguagens. (LIMA e RODRIGUES, 2012, p. 738)

Mello (2000:156, apud Zygmantas e Freitas, 2003/2004) afirma:
Ninguém facilita o desenvolvimento daquilo que não teve oportunidade de desenvolver em si mesmo. Ninguém promove a aprendizagem de conteúdos que não domina nem a constituição de significados que não possui ou a autonomia que não teve oportunidade de construir. (LIMA e RODRIGUES, 2012, p. 739)

A Multimodalidade é uma teoria baseada na Semiótica social, que estuda e explica a união entre diferentes modalidades semióticas que ocorrem nos gêneros discursivos. Esse ambiente descrito como local de ocorrência das modalidades semióticas é definido por Kleiman et al. (2008:09) como “ o instrumento que permite a comunicação na vida social”. Kress et al. (2005:02) explicam a terminologia da palavra multimodalidade, como: Mode – modo, modalidade – todos os recursos culturalmente moldados que produzem significados; e Multi, referindo-se ao fato de que todas as modalidades nunca ocorrem por elas mesmas, sozinhas, mas sempre acompanhadas das demais. (tradução nossa). (LIMA e RODRIGUES, 2012, p. 741)

A educação, aliada a essas tecnologias, pode trazer para as aulas de língua inglesa uma diversidade de recursos que dinamizam o saber e que possibilitam a automotivação dos alunos. (LIMA e RODRIGUES, 2012, p. 742)

Diferentemente de muitas definições que existem sobre o mesmo, a concepção adotada por Kleiman et al. (2008:08) parece melhor defini-lo:
Chamaremos texto a toda unidade de sentido em contexto, numa situação de comunicação. A sua extensão não importa: pode ter uma palavra, uma imagem, uma frase ou vários capítulos; pode ser falado ou escrito; o que importa é seu funcionamento na situação.  (LIMA e RODRIGUES, 2012, p. 742)

Essa concepção não condiciona ou restringe a constituição do texto em existir unicamente na presença da linguagem verbal. Pelo contrário, amplia o seu conceito para uma constituição de linguagens variadas, podendo ser uma palavra, onde essa apresentará sentido a partir de seu contexto social, figuras e cores, como também a partir de informações que o leitor carrega consigo. Nesse sentido, Kress e Van Leeuwen (2006:41) explicam que todos os textos apresentam mais de uma modalidade semiótica:

A spoken text is never just verbal, but also visual, combining with modes such as facial expression, gesture, posture and other forms of self-presentation. A written text, similarly, involves more than language: it is written on something, on some material (paper, wood, vellum, stone, metal, rock, etc.) and it is written with something (gold, ink, (en) gravings, dots of paint, etc.); with letters formed as types of font, influenced by aesthetic, psychological, pragmatic and other considerations; and with layout imposed on the material. (LIMA e RODRIGUES, 2012, p. 742-743)

O livro didático pode ser uma ótima fonte de pesquisa, mas os professores precisam checar a autenticidade dos textos, se condizem com a realidade do aluno, pois não é apenas por estar em um livro didático que o texto deverá ser o melhor. (LIMA e RODRIGUES, 2012, p. 745)

A língua inglesa, atualmente, é imprescindível por sua magnitude em nossas vidas, seja por atos sociáveis, pesquisa, estudos, prazer, saúde, etc. Ensiná-la precisa ser uma atitude consciente e crítica, com o objetivo de permitir acesso a informações, muitas vezes, presentes somente nessa língua, não porque seja a melhor, mas porque as tecnologias sobrepujaram a velocidade humana em muitas tarefas, como traduzir livros e programas computacionais de uma língua para outra, ou seja, pela necessidade urgente de encurtar o tempo nos atos comunicacionais. (LIMA e RODRIGUES, 2012, p. 747)

Acreditamos que todos os professores devam buscar a reflexão de suas práticas, pois assim deixariam de se fazer acreditar em que a culpa de uma aula ruim seja pela ausência do livro didático, e ou pelo desinteresse dos alunos. Cabe aos professores a humildade de reconhecerem que não são a fonte de conhecimento dos alunos, mas apenas auxiliadores daqueles que estão se tornando cada vez mais autônomos pela liberdade de informações fornecidas pelas tecnologias e a buscarem a reflexão, suas formações continuadas para o bom desenvolvimento de sua prática e o resgate do prazer de ensinar. (LIMA e RODRIGUES, 2012, p. 748)

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